terça-feira, 5 de abril de 2016

Formação de bons hábitos alimentares


A formação dos hábitos alimentares na infância sofre a influência dos fatores fisiológicos e ambientais. 

A experiência com diferentes sabores inicia-se desde a gestação e a lactação. 

Para facilitar a aceitação dos novos alimentos, as crianças devem ser expostas a diferentes tipos de alimentos com freqüência a partir dos seis meses. 

A preferência inata pelo sabor doce e alimentos com um maior teor energético parece ser pouco influenciada pelos fatores ambientais. 

Entre os fatores ambientais que mais interferem na atuação dos fatores fisiológicos, destaca-se a influência do cuidador, em especial das mães. Tanto o exemplo dado pelos pais, quanto as atitudes tomadas por eles em relação à alimentação de seus filhos são importantes para a formação do hábito alimentar. Destaca-se, então, a importância de se estimular o planejamento de programas de educação nutricional dirigido às mães e às crianças, visando a melhoria das condições nutricionais na infância. 

Em países em desenvolvimento, nota-se uma acentuada influência das condições econômicas sobre a oferta de alimentos às crianças, interferindo no seu hábito alimentar. A influência da televisão reforça tendências alimentares previamente existentes, especificamente pela preferência por alimentos doces e gordurosos. 

A alimentação em grupo, principalmente nas creches, favorece a modificação de hábitos alimentares, por facilitar a aceitação de novos alimentos, sendo importante a implantação de programas de educação nutricional nestas instituições para promover uma melhora na qualidade da alimentação infantil. 

Desta forma, é possível perceber que uma variedade de fatores está relacionada à formação dos hábitos alimentares da criança. O importante é investigar, em cada caso específico, quais são os fatores predominantes para podermos realizar uma intervenção nutricional efetiva, quando esta se fizer necessária.
Fonte: http://www.ufjf.br/nates/files/2009/12/Hinfancia.pdf

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Meu filho está crescendo adequadamente?



O que fazer quando aquela linha do crescimento não acompanha o padrão esperado no gráfico? Especialistas do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria responderam as principais dúvidas quanto ao crescimento das crianças. Confira:

Como é o crescimento normal?
No primeiro ano de vida as crianças crescem em média 25cm; no segundo, 12cm; no terceiro ano entre 7-8cm e a partir do quarto ano entre 5-7cm ao ano. Antes de entrar em puberdade elas desaceleram um pouco, o que é normal, e na puberdade a velocidade de crescimento pode chegar a 10-12cm ao ano. Após essa fase, o ritmo de crescimento diminui lentamente, até terminar.

Como saber se meu filho cresce bem?
Durante as consultas pediátricas periódicas, a criança sempre deve ser pesada e medida e seus dados registrados em uma curva de crescimento. Esta é a maneira mais simples e eficaz de avaliar o crescimento. É importante lembrar que não existe uma altura ideal para cada idade e sim uma faixa de normalidade, que abrange várias estaturas, pois cada criança tem um potencial de crescimento individual, que deve ser reconhecido e respeitado. Na puberdade principalmente a variação é bem grande entre indivíduos da mesma idade.

Quais fatores interferem no crescimento?
Nos primeiros dois anos de vida a nutrição é o fator que mais interfere no crescimento. A partir dessa idade os fatores genéticos (como as alturas dos pais) passam a ter maior influência na determinação da estatura da criança. O crescimento também é influenciado pela alimentação, atividade física, doenças, uso de medicamentos e fatores psicológicos.

Quando uma criança apresenta baixa estatura?
Uma criança tem baixa estatura quando cresce abaixo da última linha do gráfico ou está desacelerando sem motivo, saindo da faixa esperada para sua família. Estas situações devem ser investigadas cuidadosamente pelo pediatra ou endocrinologista pediátrico.

Toda criança com baixa estatura precisa ser tratada?
Na maioria das vezes a criança é baixa, mas é absolutamente normal: a baixa estatura ocorre por ela ter pais baixos ou por ter um crescimento mais lento, mas com uma estatura final normal (próxima à linha inferior do gráfico). Nessas situações, geralmente apenas se acompanha o crescimento. Quando a investigação mostra que a baixa estatura resulta de alguma doença, ela deve ser tratada. São várias as causas de um crescimento deficiente, como desnutrição, erros alimentares, e qualquer doença crônica tem potencial para prejudicar o crescimento normal, incluindo as síndromes genéticas (como nas síndromes de Turner e de Noonan), crianças que nascem muito pequenas e não recuperam seu canal de crescimento até os 2 anos de idade, deficiência do hormônio de crescimento, hipotireoidismo, entre outras situações. Crianças baixas “normais” apresentam resposta variada quando utilizam o hormônio de crescimento, geralmente inferior às crianças com deficiência comprovada. Para a maioria das causas existe um tratamento específico, definido pelo pediatra ou pelo endocrinologista pediatra que a acompanha. Entretanto, há síndromes genéticas que não respondem a nenhum tratamento conhecido até hoje.

Dicas úteis:
Garanta uma alimentação variada e balanceada, sono em duração e horários adequados (mínimo 8 horas por noite), atividade física regular e exposição solar para produção de vitamina D. Mesmo que seu filho não tenha nenhum problema de saúde, mantenha a rotina de consultas pediátricas para acompanhar seu crescimento.



Fonte:http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2014/11/baixa-estatura-o-que-fazer-quando-a-crianca-nao-cresce

terça-feira, 29 de março de 2016

Cólicas do Bebê


A cólica do bebê é representada na prática pelo choro súbito, inexplicado e inconsolável, que não responde às medidas habituais de conforto. Trata-se de um choro forte, agudo, estridente, aumentando de intensidade. A criança fica vermelha, se estica, vira a cabeça para os lados, as mãos ficam crispadas, as coxas fletidas sobre o abdome; frequentemente ocorre eliminação de gases, o que parece dar um alívio temporário. Este choro pode se prolongar por horas e é inconsolável, o que traz aos pais, sentimentos de frustração, impotência, ansiedade e sofrimento.
O diagnóstico da cólica é clínico, frequentemente de exclusão, que não se apoia em nenhum dadi de exame físico, nem laboratorial. Estes critérios clínicos são baseados na regra dos 3 de Wessel: duram pelo menos 3 oras, ocorrem pelo menos 3 dias por semana e pelo menos 3 semanas seguidas. Desaparecem aos 3 meses de vida. Acresce o curioso fato do choro com “hora certa”, isto é, as cólicas ocorrem num horário predeterminado, geralmente no fim da tarde, início da noite (19-23 horas).
A causa da cólica do lactente, que já é conhecida pelos pediatras há mais de um século, continua a representar um enigma. Diferentes causas que podem ser aditivas, mas frequentemente são contraditórias, têm sido aventadas, e estas podem ser divididas em gastrintestinais e não gastrintestinais.
A cólica pode ser uma variante normal e estaria relacionada a uma imaturidade fisiológica. É curioso notar que os prematuros têm o mesmo padrão de choro e de cólicas, e que atingem o pico com 6 semanas de idade gestacional, isto é, a mesma dos lactentes a termo.
Temperamento da criança, ansiedade dos pais (que pode ser agravada por inexperiência e falta de apoio), depressão materna, personalidade da mãe, problemas na dinâmica familiar e a possibilidade de sequelas emocionais são aspectos que já foram levantados e apaixonadamente debatidos.
Na esfera gastrintestinal foram levantadas algumas hipóteses cujas respectivas pesquisas não foram conclusivas:
Motilidade intestinal alterada – hiperperistaltismo colônico e pressão retal aumentada. Fala a favor dessa hipótese, a ação efetiva de alguns antiespasmódicos cujos efeitos colaterais, às vezes graves, impedem seu uso terapêutico.
Hormônios intestinais – a motilina, que exagera a peristalse intestinal, parece estar aumentada nos lactentes que sofrem de cólicas.
Excesso de ar intragastrintestinal – a aerofagia poderia ser causa, mas também pode ser consequência do choro. O uso de antiflatulentos, como a simeticona (frequentemente utilizada na prática), não se mostrou mais eficaz que o placebo, em estudo multicêntrico randomizado, o que fala contra essa hipótese. O excesso de gases também foi atribuído a uma má absorção fisiológica e transitória da lactose, mas as primeiras pesquisas não foram confirmadas.
Tipo de aleitamento – não se verificou diferença significativa entre crianças em aleitamento materno e as que recebem mamadeira, embora um estudo tenha mostrado que o pico da frequência de cólicas era mais precoce nas crianças em aleitamento artificial (duas semanas de vida) do que nas amamentadas (seis semanas de vida).
Na prática pediátrica, os critérios de Wessel podem ser muito úteis para determinar a conduta. Os casos que se enquadram nesses critérios devem receber do pediatra explicação, tranquilizarão e apoio. Os casos que se afastam muito dos critérios devem ser investigados. Choro contínuo nas duas primeiras semanas de vida levantam a suspeita de fome, inclusive por mamadas ineficientes (controlar o peso).
Nos casos associados à regurgitação acentuada e a mamadas nervosas, interrompidas, considerar refluxo gastresofágico, e nas famílias atópicas, em que o lactente apresenta choro acentuado logo após as mamadas, e especialmente se a criança tem outras manifestações alérgicas, pesquisar alergia ao leite de vaca, inclusive nas crianças que mamam leite de peito.
Como toda boa pesquisa, a de Saavedra e cols. dá algumas respostas, como a influência do desmame precoce (embora a cólica vespertina também ocorra na criança amamentada), e levanta muitas dúvidas. Seria interessante comparar os lactentes com cólicas diagnosticadas pelos critérios de Wessel e as crianças chorosas pela percepção da mãe. Quem sabe os autores se animem e aprofundem seu estudo num modo prospectivo e sequencial, fazendo uma pesquisa epidemiológica e etnográfica, com entrevistas em profundidade e observações participantes, uma vez que até hoje nada se tem de muito conclusivo e efetivo sobre o assunto, que venha a dar conforto aos bebês e aos pais aflitos.


Fonte; http://www.scielo.br/pdf/jped/v79n2/v79n2a01

quinta-feira, 10 de março de 2016

ATRASO NA FALA



O DESENVOLVIMENTO NORMAL

Quando a analisamos fala e linguagem, como outros aspectos do desenvolvimento da criança, a variação é muito grande. Entretanto não podemos resumir o tema num conceito tipo “tem que estar falando aos X anos”, pois a coisa é bem mais complexa. Para pais, professores, pediatras e todos os que acompanham as crianças o mais importante é estarem atentos aos possíveis sinais de alerta.

Existem várias tabelas que listam as capacidades que espera-se que a criança já tenha adquirido em cada idade. Apesar de ajudarem a guiar os pais, muitas vezes elas acabam confundindo mais, pois nem sempre é fácil saber o que fazer quando uma dessas capacidades parece não ter sido adquirida. Isso pra não falar nos casos que um dos pais acha que a criança é uma “tagarela” e o outro discorda, dizendo que ele “não fala nada”.

FALA X LINGUAGEM

Fala e linguagem são coisas diferentes. Fala é o ato de se expressar através das palavras produzidas pela articulação dos lábios, da língua, e das demais estruturas da garganta, além do papel da vibração das cordas vocais. Já a linguagem tem um conceito bem mais amplo e inclui todas as formas de se expressar e de captar as informações que façam sentido. Assim, para uma boa linguagem, além de falar adequadamente é importante ouvir bem, enxergar e ter a inteligência necessária para se comunicar e se exprimir, seja através da fala ou não.

OS SINAIS DE ALERTA

Sinais de alerta são aqueles que devem servir de motivo para se procurar ajuda especializada junto a médicos otorrinolaringologistas, foniatras, pediatras, neurologista pediátricos e fonoaudiólogos. São eles:

Em qualquer idade:

· Crianças que não reagem aos sons ou que não balbuciam ou produzem sons com a voz.

Entre 1 e 2 anos de idade:
· Dificuldade de compreender frases ou solicitações verbais
· Não tentar imitar sons ou palavras
· Preferir gestos do que a voz para se comunicar

Após os 2 anos:
· Não produzir palavras ou frases espontaneamente
· Repetir palavras sem um bom sentido para a comunicação
· Tom de voz anormal ou anasalado
· Dificuldade de compreender o que a criança diz na maior parte das vezes

CAUSAS 

Causas possíveis do atraso no desenvolvimento da fala, quando não é apenas uma variação normal de criança para criança.
· Alterações da língua (freio de língua curto)
· Alterações neurológicas que afetem a cognição (aprendizado, inteligência, memória).
· Surdez de origem genética ou oriunda de infecções crônicas dos ouvidos.
· Pouca estimulação das crianças pelos pais e demais adultos que cuidam. As crianças aprendem a falar ouvindo. Muitas vezes a criança pode ter um atraso na fala mesmo havendo audição e cognição perfeitas, apenas por serem pouco estimuladas verbalmente pelos pais com historinhas, conversas e demais interações orais que devem fazer parte do dia a dia.

FONTE: http://portalotorrino.com.br/atraso-na-fala-ate-quando-e-normal/

terça-feira, 1 de março de 2016

Animais de estimação



Estudos mostram que uma criança quando tem um animalzinho só tem benefícios, principalmente no desenvolvimento da afetividade. Um animal de estimação pode reunir tudo o que uma criança precisa: diversão, entretenimento e aprendizado, e pode ser útil para espantar a solidão e alegrar toda família.

A responsabilidade que a criança terá ao cuidar do seu animalzinho desenvolve a autonomia, afetividade e os mais diversos sentimentos como alegria, frustração e respeito.

A decisão de ter um animal de estimação na família é um ato de responsabilidade, antes de tudo. A grande maioria das pessoas que convivem com animais de estimação asseguram que é uma das escolhas mais positivas que já tomaram em suas vidas.

E não é para menos: incorporar uma mascote na vida familiar tem um sem fim de vantagens que podem ser resumidas numa melhora da saúde emocional e física de toda a família, além de nos enriquecermos como sociedade. Vamos tentar numerar todas as vantagens que os cachorros, gatos, coelhos ou roedores podem contribuir:

1 – Aprender a se responsabilizar por um animalzinho que depende completamente da gente. Esse fator é muito importante para as crianças. Com um animal de estimação em casa, o pequeno vai adquirir alguns valores de aprendizagem muito positivos. Será mais responsável e terá uma melhor atitude, além de contribuir com a sua autoestima e sua autoconfiança. Outro aspecto importante é que a criança aprende diferentes etapas da vida, como o nascimento, a reprodução e a morte.

2 –Se o adotamos (a melhor opção) já grandinho, encontraremos um animalzinho pelo qual teremos que nos esforçar para conhecer, porque, em alguns casos, já tem o seu caráter formado, uma vida anterior, um passado que teremos de esta cientes na hora de reeducá-lo se for necessário.

3 – 
Mudanças na rotina. Os bichinhos vão nos estimular a praticarmos atividade física. Teremos que levar nosso animal de estimação para a rua para se exercitarem. E teremos que ir com eles. Com isso sairemos de casa e estaremos nos exercitando junto.

4 – Está comprovado que quando acariciamos a um animal, nosso corpo produz endorfinas, reduzindo o estresse e a ansiedade. É uma fonte inesgotável de companhia e afeto, além do que um grande apoio para enfrentarmos o isolamento e a solidão.

5 – Ajudam a baixar a pressão sanguínea e melhora a saúde cardíaca. Recentes estudos mostram que ter uma mascote em casa favorece esses aspectos para o bom funcionamento do organismo humano. 

Em definitivo, a vida é muito mais divertida com um animal de estimação em casa. Ele trará novo ânimo e bem estar em todos os aspectos. Será uma relação realmente recíproca. E se cultivarmos essa relação, programando atividades e calendários, tanto para atividades cotidianas, como a comida, o banho, os passeios diários, assim como atividades como as excursões ou viagens, teremos uma família mais unida e feliz.

Fonte: http://br.guiainfantil.com/materias/saude/animais-de-estimacaoquais-os-beneficios-para-as-criancas-em-ter-um-animal-de-estimacao/

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Hiperatividade



Frequentemente confundida com falta de educação, a hiperatividade, ou o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), afeta cerca de quatro milhões de pessoas - entre crianças e adultos - somente no Brasil. Tendo como características básicas a falta de persistência em atividades que requeiram atenção, fazer várias coisas ao mesmo tempo sem concluir alguma delas e desorganização, a doença compromete o desempenho profissional, afetivo e familiar de seus portadores. Mas atualmente ela já pode (e deve) ser tratada.

Quando uma criança não para quieta, anda de um lado para o outro, pula, sobe nos móveis, derruba tudo pela frente, espalha as roupas e os brinquedos, revira as gavetas, interrompe o professor a cada momento, não termina as lições, tem problemas de relacionamento com os colegas, responde impulsivamente, está sempre se esquecendo do que já aprendeu, geralmente conclui-se que é mal educada. Provavelmente é verdade, mas pode ser que sofra de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): 3% a 5% das crianças com menos de 7 anos têm a doença.

O problema, quando tratado, diminui na adolescência, mas há controvérsias quanto à persistência entre os adultos. Para alguns estudiosos, a proporção de crianças hiperativas que mantêm o distúrbio na idade adulta varia de 4% (Salvatore Mannuza) a 66% (Russel Barcley). O certo é que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade compromete o desempenho profissional, afetivo e familiar dessas pessoas.

Agora, muita calma e atenção. Nem toda criança bagunceira, levada e desatenta é doente. Somente um exame clínico profundo, incluindo também suas condições de vida e sua história pessoal, permite a conclusão do diagnóstico. Em primeiro lugar, os sintomas precisam manifestar-se em dois ambientes distintos - geralmente em casa e na escola. E, dos comportamentos que caracterizam o problema, é necessário a observação de, no mínimo, oito deles durante seis meses seguidos. Observe se a criança:

- Fica frequentemente irrequieta com as mãos, os pés ou se remexendo muito na cadeira.
- Tem dificuldades de permanecer sentada quando alguém lhe pede que o faça.
- É facilmente distraída por estímulos exteriores.
- Tem dificuldade de esperar pela sua vez nos jogos ou em situações de grupo.
- Com frequência, dá respostas precipitadas antes mesmo de a pergunta terminar de ser feita.
- Tem dificuldade de seguir instruções(não como rebeldia ou falta de compreensão).
- Tem dificuldade de manter a atenção nas tarefas ou atividades de jogo.
- Alterna-se, frequentemente, de uma atividade não terminada para uma outra.
- Demonstra ter dificuldade de brincar silenciosamente.
- Frequentemente, a criança fala excessivamente.
- Quase sempre se intromete ou interrompe outras pessoas.
- Parece não ouvir o que a(s) pessoa(s) lhe diz(em).
- Perde os materiais necessários à realização de tarefas ou de atividades em casa ou na escola.

O TDAH é um dos distúrbios menos conhecidos pelos profissionais da área da educação e até mesmo entre os da saúde, provocando a demora do diagnóstico e do tratamento. Embora as suas causas não sejam totalmente conhecidas, a influência genética é demonstrada por estudos com famílias de portadores do transtorno. Provavelmente, vários genes de pequeno efeito determinam a vulnerabilidade do indivíduo.

Quase sempre o TDAH está associado a um risco significativamente maior de baixo desempenho escolar, repetência, expulsões e suspensões escolares, relações difíceis com familiares e com colegas, desenvolvimento de ansiedade, depressão, baixa autoestima, problemas de conduta e delinquência, experimentação e abuso de drogas, acidentes de carro e multas por excesso e velocidade.

Nos adolescentes, o problema maior é o uso de drogas. Não existe uma explicação para o fato, mas os estudos demonstram que o uso de drogas é maior entre os portadores de TDAH, na comparação com indivíduos sem o transtorno. E que o consumo de cocaína é comum entre eles, segundo Mario Louzã, coordenador do Projeto de Déficit de Atenção e Hiperatividade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

"Sob a ação da droga ficam mais atentos, mais concentrados. Aí entra um aspecto interessante dessa doença: os estimulantes diminuem a hiperatividade e a desatenção, tanto que o tratamento é feito com medicação que contenha esse tipo de substância. Apesar de parecer paradoxal, atende ao que se supõe ser o mecanismo dela: a falta de uma ação inibitória do sistema nervoso central sobre algumas áreas. Portanto, quando se estimula a inibição, aumenta o controle da atenção, da atividade motora e da impulsividade", explica Louzã.

No Brasil existe só um medicamento com esse princípio ativo. É o metilfenidato, que age reduzindo os três sintomas básicos do TDAH - desatenção, hiperatividade e impulsividade. Os efeitos colaterais conhecidos são a diminuição do sono e do peso, além de dores de cabeça. Mas são passageiros e suportáveis, caso contrário a medicação é suspensa pelo médico. O remédio é eliminado do organismo em cerca de cinco horas.

Márcia Maria de Toledo, psicóloga da equipe multidisciplinar de pesquisas sobre o TDAH em crianças no Hospital das Clínicas da Unicamp, explica que o tratamento depende ainda da idade da criança. Em alguns casos, no entanto, a psicóloga acredita que o remédio seja imprescindível. "Mas ele tem de ser usado por pouco tempo, até a criança aprender a viver sem a medicação. O remédio só remove o sintoma", adverte.

O neurobiologista César de Moraes defende a necessidade do medicamento, independentemente de existir ou não acompanhamento. "Embora o ideal seja que a criança tenha um tratamento integral, com profissionais de diversas áreas atuando em conjunto, o risco de não tratar é muito maior que o risco de tratar somente com o medicamento. O metilfenidato, apesar de não curar, ajuda a melhorar os sintomas." De acordo com ele, metade das crianças leva o transtorno para a vida adulta.


Fonte: http://www.methodus.com.br/artigo/11/hiperatividade-doenca-ou-falta-de-educacao?.html

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A família com uma criança especial



A Organização Mundial da Saúde revela que 10% da população mundial é composta por pessoas com deficiências, a saber: mental (5%), física (2%), auditiva (1,5%), múltiplas deficiências (1%), e visual (0,5%).

Já no Brasil, das pessoas que têm deficiência, 4,1% têm deficiência física.

As dificuldades enfrentadas são inúmeras, principalmente se a família possui um padrão de vida considerado de baixa renda. Dentre eles, podemos destacar: redução da renda e dos contatos sociais, desequilíbrio emocional e estresse.

A situação socioeconômica da pessoa facilita ou dificulta o acesso ao tratamento, aquisição de órteses e próteses, cadeiras de rodas ou outros auxiliares de locomoção, como também a acessibilidade à escolarização e ao lazer. Quando a dificuldade financeira é um fator importante frequentemente a incapacidade do indivíduo se torna mais acentuada ainda.

O nascimento de uma criança especial traz nova realidade à família e antes de mais nada é um choque. Manifestam sentimentos de perda, negação, tristeza, resignação, revolta e têm que lidar com tudo isso, além de levar a vida adiante com as dificuldades futuras a enfrentar.

As famílias em geral acabam buscando meios de enfrentar e reagir à situação. Enfrentar significa fazer aquilo que é preciso, lidar com problemas e avançar. Reagir trata-se de lidar com emoções que incluem desde confusão até o medo da incompetência.

Todos experienciam a perda que gera desapontamento, frustração, raiva, à medida que desaparecem a liberdade e o tempo para o lazer.

Conforme vão superando e sobrevivendo à deficiência, começam a criar expectativas que vão de positivas à negativas. Entretanto, o desejo de cura é uma constante.

Sabendo que um aspecto essencial para a evolução da criança é a conduta dos pais como detentora de benefícios e prejuízos no processo de desenvolvimento, em relação às expectativas ao futuro dos filhos as mães demonstraram-se preocupadas com o desenvolvimento geral desse e com a perspectiva de cura. A busca de cura mostrou-se como uma necessidade normal dos pais que permanece presente independente do tipo de deficiência ou da compreensão destes sobre o diagnóstico.

Para os profissionais envolvidos com as famílias de pessoas portadoras de deficiência, é de suma importância que tenham o maior conhecimento possível das dinâmicas pelas quais passam estas famílias para se instrumentalizarem emocional e racionalmente, para que esses pais recebam o maior número possível de informações, que tenham suas dúvidas esclarecidas para que possam decidir com maior segurança os recursos e condutas primordiais para o bom desenvolvimento de seu filho.

A família a qual pertence a criança especial exerce importante papel contrapondo-se à sua marginalização. Tem a importante função de proporcionar a esta criança tornar-se sujeito desejante, uma pessoa que possa transformar seus impulsos em desejos, buscando realizá-los - dentro do quadro de sua diferença e por meio dela.

A rede de apoio familiar favorece a formação de vínculos e estruturação da vida da criança com deficiência física ampliando suas possibilidades a partir da auto-estima advinda da afetividade. Esta rede, não pode, portanto, ser ignorada no referente ao desenvolvimento e à socialização dessa criança.

Por meio das relações de cuidado, a família transmite valores como os de tolerância e respeito às diferenças, corroborando para um desenvolvimento adequado, especialmente quando os serviços sociais são inadequados e as políticas públicas insuficientes.

Fontes: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12822006000100008

http://www.scielo.br/pdf/paideia/v9n16/04.pdf