segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ciúmes entre irmãos

Ciúmes entre irmãos



A primeira notícia de ciúmes entre irmãos nos contada é a de Caim e Abel. Para alguns, ainda os primeiros irmãos do mundo. A evolução das espécies diz que não é e eu faço parte deste segundo grupo. Isto tudo para dizer que ciúmes entre irmãos é uma coisa recorrente, antiga, para não dizer natural. Quando nascem os irmãos é comum um sentimento de encantamento, amor e ao mesmo tempo de ressentimento e culpa. Ressentimento por ter sido tirado alguma coisa que era de direito e culpa porque você ama este irmão e sabe que ele tem os mesmos direitos que você e ainda se sente assim. Simples e complicado deste jeito. Algumas vezes, se os pais são hábeis e os adultos próximos não são suficientemente estúpidos ao ponto de colocarem o dedo na ferida, as coisas se ajeitam. Já casos entretanto, que o sentimento pode perseverar por toda vida.
É natural e normal que os filhos mais velhos apresentem demonstrações de ciúmes, ressentimento, insegurança, raiva e infelicidade como resposta ao nascimento do novo irmãozinho. 
O que fica por vezes difícil para os pais entenderem é a maneira pela qual esses sentimentos se expressam: 
• Algumas crianças tentam machucar o bebê fisicamente, ou dizem para quem quiser ouvir que eles querem que o bebê vá embora. 
• Outras podem demonstrar todo o carinho do mundo para o novo irmãozinho, mas ficam agressivas e hostis com a mãe. 
• Podem ficar retraídas, passando a chupar o dedo e a molhar a cama. 
• Outras, ainda, podem ter um comportamento ótimo em casa, mas cheio de problemas na escola. 

Cada criança apresenta algum tipo de dificuldade diferente relacionada ao irmão: 
• A criança pode aceitar o novo irmãozinho sem demonstrar ciúme, mas quando o bebê já estiver com nove meses e quiser pegar seus brinquedos, um ressentimento exacerbado pode aflorar. 
• Podem surgir problemas no momento em que a criança mais nova começa a se socializar, faz seus próprios amigos e não depende mais tanto de seu irmão mais velho. 
• A criança pode parecer mais popular ou bem sucedida na escola do que o irmão mais velho. Irmãos e irmãs podem ser muito unidos em determinados períodos, mas podem surgir ocasiões em suas vidas em que sentimentos de ciúmes tornamse um peso para eles.


O QUE OS PAIS PODE FAZER
Preparar a criança para a chegada do novo integrante da família é uma boa idéia. Para o primogênito o nascimento do irmão significa que ele deixa de ser o foco de toda atenção da famíla para ter que dividí-la com um bebê que nem sequer pode brincar com ele e que ainda por cima, chora, requer muita atenção e cuidado constantes, o que pode distanciá-lo da mãe, temporariamente. Como isto pode ser muito frustrante para uma criança pequena, sentimentos ruins poderão aparecer e serão principalmente contra o irmão e a mãe. Para isso ser menos traumático, mesmo estando exausta, a mãe deve reservar um tempo exclusivo com seu filho mais velho, para que ele se sinta tão amado quanto sempre foi (deixe o menor com o pai para isso).
Se achar que está na hora de colocar seu filho mais velho na escola devido à chegada do novo integrante, por favor, não deixe para fazer isso depois do bebê nascer. O mais velho vai sentir-se como um objeto que está atrapalhando e precisa ser posto em outro lugar para não fazê-lo, pelo menos pelo tempo em que está naquele lugar horrível que os pais o coloraram (por mais legal e melhor que seja a escola, se for assim que fizerem, eles vão achá-la detestável). Há crianças que precisam de adaptação para ficar na escola. Como, com um recém-nascido, você pretende dar atenção ao seu maiorzinho? Então, coloque-o pelo menos uns 6 meses antes do bebê nascer na nova escola que tudo ficará bem.
Passe tarefas pequenas e leves para seu filho, para motivar seu relacionamento com o bebê. Não force se a resposta for negativa, mas mostre todo o seu apreço por cada ajuda que receber. 
Seja firme com relação a comportamentos negativos, mas sem fazer seu filho sentir-se culpado. Mostre que o errado é o comportamento, e não ele próprio.
Uma coisa muito importante que sempre gosto de me lembrar é que a gente erra muito menos se faz as coisas com amor e a outra é que o mundo não é feito de filhos únicos e cabe a cada um de nós, e portanto de nossos filhos também, encontrar nosso lugar nele.

Fonte: http://www.ip.usp.br/portal/images/stories/lefam/ATT00032.pdf