quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Depressão Pós-Parto



As expectativas de vivenciar as maiores experiências de alegria cercam a chegada de um filho. Entretanto, a realidade pode se mostrar um pouco distante disto. Não é incomum e muito menos surpreendente, as mães pegarem-se envolvidas com sentimentos que não imaginavam ter neste momento.
O nascimento, além de deixar a mãe exausta e ansiosa, faz com que ela perceba que não tem mais o mesmo controle de sua própria vida devido as constantes exigências do bebê. Mesmo tendo ajuda, há nesta fase, coisas que dependem somente da mãe e que são exigidas a todo o momento (amamentação é um exemplo).
Parte desta montanha-russa sentimental poderá ter origem hormonal, que passa por oscilações em seus níveis. Outra possibilidade é o choque de realidade, quando se tem a percepção exata da responsabilidade de ter que cuidar de um bebezinho e lidar juntamente a isso, com todas as outras mudanças que ocorrem em sua casa e vida.
É importante detectar se o quadro que se apresente é de depressão ou somente este choque inicial de realidade, pois a primeira condição é bastante séria e pode causar impacto em toda família, inclusive interferindo no desenvolvimento do relacionamento entre a mãe, seu bebê e a família.

Sintomas da depressão pós-parto:
Humores e sentimentos
·         Sentir-se incapaz de apreciar a vida (inclusive desinteresse por sexo), desejar coisas e rir.
·         Sentir-se assustada, ansiosa, acabada e triste na maior parte do tempo.
·         Sentir-se inútil e sem valor.
·         Ter ideias de auto flagelamento e suicídio.
Sentindo-se incapaz de lidar com a situação
·         Tudo parece ter um peso insuperável.
·         Incapaz de tomar as menores decisões.
·         Dificuldade para concentrar-se e lembrar-se das coisas.
·         Evitar os amigos e o contato social
Sintomas físicos
·         Incapaz de dormir ou comer ou alternativamente, de dormir e comer o tempo todo.
·         Ter sintomas físicos como dores diversas, dores de cabeça e maior vulnerabilidade a infecções.

Por que algumas mães passam pela depressão pós-parto?
Ter depressão pós-parto não significa que você não quer, não ama ou não acolheu bem o seu bebê recém-chegado. Não existe uma explicação simples para sua causa. No entanto, certa combinação de estresse e preocupações torna muito maior a possibilidade de uma mulher ficar deprimida após o parto.

A depressão pós-parto e o bebê
A mãe é a pessoa mais importante para o bebê e precisa dela, principalmente nas primeiras semanas para que o mundo ao seu redor faça sentido. Para que isto se realize, a mãe precisa ter energia suficiente e demonstrar interesse por seu bebê, para tentar entender o significado de seu choro – se o bebê está com fome, cansado, desconfortável, com as fraldas sujas ou sentindo-se só.
Esse período de aproximação física e emocional é tão importante para o bebê que ele fica muito sensível ao temperamento de sua mãe. Rapidamente nota quando você não consegue “estar lá” para cuidar dele porque está deprimida, ou envolvida em seus próprios pensamentos e sentimentos. Isto pode significar que tanto você como seu bebê estão perdendo um precioso tempo para estarem juntos. Um bebê que não recebe muita atenção, ou que não recebe a atenção adequada sem ter que esperar além do tempo que suporta, pode ficar rapidamente confuso e preocupado. Esse ser indefeso e em tudo dependente pode ficar assustado se não conseguir que sua mãe sorria ou preste atenção nele. O bebê pode sentir que sua mãe o está rejeitando e ficar angustiado com isso.
É importante entender também que os bebês nascem com temperamentos diferentes. Desde o começo, o tipo de bebê que a mãe tem pode influenciar no fato dela ficar ou continuar deprimida, principalmente se ela for vulnerável à depressão pós-parto.

Atendendo as necessidades do bebê e da mãe
Os bebês precisam dos cuidados dos pais para nutrir o seu desenvolvimento emocional e construir sua própria capacidade de pensamento e aprendizagem. Mas isto não precisa depender apenas da mãe o tempo todo. A mãe precisa ser protegida e ter tempo de recuperar suas energias – ela não pode ficar de plantão o dia e a noite toda. Pais, avós e outros, se presentes, podem ajudar a cuidar do bebê com atenção essencial ao seu desenvolvimento.

Conseguindo ajuda
A depressão pós-parto afeta muitas mães e não há nada do que se envergonhar. É importante ser capaz de reconhecer que você pode estar sofrendo e procurar ajuda o mais rápido possível. Profissionais da saúde são treinados para identificar os sintomas. Você pode se sentir aliviada quando o seu médico ou outro profissional de sua confiança reafirmarem que você não está ficando louca, mas que está sofrendo de depressão pós-parto – algo que pode ser tratado com eficiência de várias maneiras. O pai também pode se sentir deprimido após o nascimento do bebê. Mesmo que ele não passe tanto tempo cuidando do bebê como você, para a saúde dele e para o bem estar de toda a família, é importante que ele também receba apoio.

Medicação
Na consulta com o seu clínico geral, talvez você chegue à conclusão de que antidepressivos sejam a solução. Esses medicamentos são com frequência um tratamento eficaz contra a depressão pós-parto. Podem animá-la e aliviar os piores sintomas da depressão, ajudando-a a sentir-se mais controlada e capaz de atender as necessidades do bebê que está crescendo. Os antidepressivos não viciam e podem ser tomados por meses a fio. Se você estiver amamentando, o seu médico pode receitar os antidepressivos mais adequados. Mas a medicação nem sempre é necessária e, de qualquer maneira, não basta por si só. Ela pode e muitas vezes deve ser oferecida juntamente com apoio e aconselhamento.
O importante é que você tenha espaço suficiente e oportunidade para falar de sua própria situação e de seus sentimentos a respeito. Isto pode requerer de você uma reflexão a respeito de suas experiências de gravidez e parto, de sua própria infância e dos cuidados que recebeu de seus pais e possivelmente também de outras experiências significativas de sua vida.




Fonte: http://www.ip.usp.br/portal/images/stories/lefam/ATT00026.pdf