quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Divórcio e separação


Quando os relacionamentos dão errado e se dissolvem é o momento de enfrentamento de várias perdas. Todos são afetados. Trata-se de perder o compartilhamento da vida e de desistir da ideia de um futuro em conjunto como família.
Nas separações, geralmente quem permanece morando com os filhos é a mãe. Além do momento difícil que a separação já traz, a mulher tem que buscar forças para tentar apoiar os filhos que assim como ela estão perdidos nesta nova condição. Muitas vezes as separações ocorrem em situação de litígio, muito conflito e rancor. Ter que administrar tudo isto e fazer com que o que restou da família continue em pé, é uma tarefa extenuante. Um apoio nestas horas é fundamental. A família pode ajudar, mas se não for possível, talvez um apoio psicológico seja de muito boa ajuda, pois além de ser um profissional capacitado, está fora do contexto familiar e pode enxergar a situação sem envolvimento emocional.
Sempre que possível, é importante que os filhos mantenham contato com ambos os pais e com toda a família (avós, primos, tios, etc).
Se a separação é amigável, melhor, pois o casal poderá trabalhar junto para diminuir as dificuldades à medida que vão aparecendo. O contrário é bastante verdadeiro, pois não há boa vontade de entender o ponto de vista um do outro.
Alguns pais, aqueles que saem de casa, muitas vezes, por diversas razões, decidem que é melhor dar um tempo na relação com os filhos e se afastam. O problema é que os filhos se sentem tremendamente magoados com o afastamento e se sentem rejeitados, mesmo quando o genitor que se afastou acha este o melhor caminho naquele momento. Mas, qualquer contato é melhor do que nenhum. Se é impossível visitar, ao menos manter contato via web, telefone, email, cartões de aniversário, WhatsApp. Qualquer contato faz com que a insegurança da criança diminua, quanto à incerteza do amor dos pais.

Visitas
Depois de combinadas, as visitas devem ser respeitadas rigorosamente, pois caso isto não aconteça pode gerar alguns conflitos, devido a, por exemplo:
  • ·         O genitor com a guarda tem sempre a sensação de que as visitas podem parecer puro divertimento, enquanto este fica com a responsabilidade diária das tarefas e rotinas como escola, lições de casa e disciplina, isto é, a parte chata. Se os horários forem flexíveis, pode achar que nunca pode fazer seus próprios planos e ter sua privacidade.
  • ·         O visitante pode encarar perguntas a respeito daquilo que acontecerá durante a visita como um questionamento de sua capacidade como pai (mãe).

As crianças devem ser protegidas o máximo possível dos estados de beligerância entre os adultos. Lembrar-se de que apesar de separados, ainda são pai e mãe da(s) criança(s).
A criança não precisa ser informada de todos os detalhes a respeito do rompimento com o ex-parceiro, mas é importante que elas conheçam os fatos a respeito do futuro delas. Por exemplo:
·         Quando verão seu pai (ou mãe) e seus avós, tios e primos.
·         Se irão mudar de residência ou de escola.
Tentar dissuadir os filhos a tomar um partido não traduz o melhor interesse da criança. Com uma atitude como esta, eles podem se sentir desleais, não importa o que façam e fica mais difícil entenderem seus sentimentos.

Como as crianças expressam seus sentimentos
Os seus filhos podem precisar transmitir a você toda a raiva, dúvidas e sentimentos de impotência que lhes sobrecarregam. É mais fácil para eles lidar com a situação quando são capazes de tornar claro o seu sofrimento e quando sentem-se confiantes de que suas necessidades continuarão a ser atendidas. 
As crianças, tal como os adultos, reagem de maneira própria ao stress e à infelicidade. Suas reações variam também de acordo com a idade.

Disciplina
As crianças provavelmente sentirão muita inconsistência dos adultos que estão sofrendo, preocupados com a separação. Como resultado disto, a disciplina será provavelmente uma questão mais difícil a se lidar do que antes. Você pode ficar ansiosa(o) sobre o que os seus filhos estão liberados para fazer quando estão com seu(sua) ex-parceiro(a), ou poderá descobrir que seu(sua) novo(a) parceiro(a) encara a disciplina de modo diferente. Tente não descontar essa situação nas crianças. Os pais precisam entender que é deles a responsabilidade de resolver tudo isso. Eles às vezes perdem o senso de proporção quanto à disciplina e ao comportamento dos filhos quando ficam ansiosos a respeito dos possíveis efeitos da separação. Podem encarar o bom comportamento principalmente como reafirmação de que os filhos não sofreram, ou podem se mostrar mais intolerantes a maus comportamentos por causa das suas próprias preocupações e culpas.

Novas famílias
Quando as famílias se dissolvem, geralmente formam novas famílias. Se você tem um novo parceiro, tem também a esperança de construir um novo futuro para a sua família, juntos. Você precisa se lembrar que pode estar pedindo muito a seus filhos em um momento em que estão tentando administrar a perda de um dos pais. Eles têm que:
• aprender a lidar com o novo adulto, que parece ter assumido o lugar que era da mamãe ou do papai
• conhecer novos avós, irmãos e, é claro, os bebês que virão do novo relacionamento
• discriminar as antigas lealdades e os novos sentimentos de ciúme 

          • acostumar-se a diferentes maneiras de fazer as coisas e novos arranjos de moradia, tais como compartilhar com outros o quarto de dormir. Mesmo para as crianças muito pequenas, é importante deixar claro que o(a) seu (sua) novo(a) parceira não se tornou, automaticamente, um novo papai ou uma nova mamãe. Um relacionamento tão íntimo só pode se desenvolver com o tempo – e mesmo assim apenas se o novo pai (ou nova mãe) e o(a) novo(a) filho(a) desenvolverem esse sentimento um(a) pelo(a) outro(a). É melhor, nesse meio tempo, aceitar que uma certa distância seja inevitável e mais respeitosa para todos os envolvidos. Seu (sua) ex-parceiro(a) também não quer sentir que outra pessoa está ocupando o seu lugar como papai, ou mamãe. Se você conduzir as coisas com vagar, será possível acertar um arranjo que seja plausível para todos.

Fonte:http://www.ip.usp.br/portal/images/stories/lefam/5_Divorcio_e_separacao_OK.pdf