domingo, 27 de setembro de 2015

Bruxismo na infância - Seu filho range os dentes enquanto dorme?

Bruxismo


Muitos pais chegam aos consultórios dos pediatras ou odontopediatras assustados com a condição que acabaram de observar em seus filhos, pois a forma como se apresenta é realmente de grande impacto. 
O ranger de dentes, ou Bruxismo, causa mesmo uma impressão muito forte em quem nunca viu, ou melhor, ouviu.
A boa notícia é que não se trata de nenhuma doença grave do ponto de vista sistêmico, mas que pode sim estar causando as dores de cabeça, ao comer, na face, ou mesmo evidenciando alguma situação estressante que seu filho pode estar passando. 
Há o que possa ser feito e o quanto antes melhor, porém, é uma condição muito comum, que quem apresenta Bruxismo na infância, provavelmente vá carrega-lo para a vida adulta. A incidência pode chegar a 86%. Alta né? Vamos tratar o quanto antes!!!
O Bruxismo é definido como um hábito não funcional do sistema mastigatório, caracterizado pelo ato de ranger ou apertar os dentes, podendo ocorrer durante
o dia e durante o sono. O ato de ranger ocorre frequentemente durante o sono, períodos de preocupação, estresse e excitação, acompanhado por um ruído notável. Já o apertamento, em geral sem ruídos, é mais comum durante o dia e pode ser considerado mais destrutivo, uma vez que as forças são contínuas e menos toleradas. 
As causas podem ser dentárias, fisiológicas, psicológicas e neurológicas.
Durante a infância, o Bruxismo é mais severo nas crianças em idade pré-escolar devido às características estruturais e funcionais dos dentes decíduos, embora também apareça em crianças maiores e na dentição permanente.
As forças exercidas pelo Bruxismo podem provocar distúrbios em diferentes graus nos dentes e nos tecidos de suporte, na musculatura e na articulação têmporo-mandibular. O sinal mais comum é o desgaste nas faces incisais dos dentes anteriores e oclusais nos posteriores, além de mobilidade e hipersensibilidade dentárias, fratura de cúspides e restaurações e hipertonicidade dos músculos mastigatórios.
Dentre os fatores desencadeantes locais, pôde-se observar maloclusões, traumatismo oclusal, contato prematuro, reabsorção radicular, presença de cálculo dental, dentes perdidos, excesso de material restaurador e tensão muscular.
Há evidências de que o Bruxismo em crianças pequenas também pode ser consequência da imaturidade do sistema mastigatório neuromuscular. Alguns autores já observaram que quanto mais prolongado o aleitamento materno, menor a ocorrência deste hábito oral nocivo, como outros também.
Crianças com obstrução das vias aéreas superiores por aumento de volume das amigdalas ou adenoides têm uma associação positiva com o Bruxismo.  Após a correção cirúrgica destas condições, observa-se uma melhora considerável Do quadro.
Forte tensão emocional, problemas familiares, crises existenciais, estado de ansiedade, depressão, medo e hostilidade, crianças em fase de autoafirmação, provas escolares ou mesmo a prática de esportes competitivos e campeonatos podem atuar como fatores de origem psicológica e ocupacional para o desencadeamento desta condição. 
O Bruxismo pode ser considerado uma resposta de escape, uma vez que a cavidade bucal possui um forte potencial afetivo, além de ser um local privilegiado para a expressão de impulsos reprimidos, emoções e conflitos.
Há autores que também sugerem uma predisposição genética para a condição, mesmo ainda desconhecendo-se o modo de transmissão, uma vez que observa-se que muitas crianças que rangem dentes, são filhas de pais que também o fazem.
O conhecimento dos fatores etiológicos e das características clínicas do Bruxismo na infância é fundamental para que o diagnóstico seja precoce, permitindo que pediatras, odontopediatras e psicólogos possam estabelecer um tratamento multidisciplinar e favoreçam o desenvolvimento integral da criança para a promoção de saúde e bem-estar individual.
O tratamento consiste em um trabalho multidisciplinar que abrange a odontologia, a medicina e a psicologia.
A odontologia normalmente atua em procedimentos restauradores, tratamento ortodôntico e placas de mordida.
Em algumas situações, pode haver a necessidade de um tratamento sistêmico com uso de medicação e tratamento médico, além de aconselhamento psicológico.