sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Salto alto para criança?


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Salto alto para criança?
Uma coisa que sempre tive em mente é que salto alto é uma coisa desconfortável, desloca o peso corpo para determinadas partes do pé ao invés de distribuir, faz com que caminhemos com dificuldade e via de regra provocam bolhas e dores nos pés. Então, em nome de quê eu poria saltinho na minha filha pequena?

Assim, nunca coloquei, claro. Outras razões também tiveram peso importante. Se consideramos o uso do salto alto, algo que sensualiza a mulher, eu também estaria fazendo o mesmo com ela, isto é, numa idade tenra, dando a ela uma conotação de sensualidade que não compreenderia e muito menos saberia lidar. A sociedade em vários aspectos já se ocupa em diminuir o período tão importante da infância, apelando o tempo todo para que os pequenos cheguem à adolescência mais cedo (e Deus me perdoe, depois disso entre numa “adultescência” interminável), que nós pais, não precisamos contribuir com nenhum objeto que remeta a esta precocidade. Há pouco, a menina brincava de usar a sandália da mãe. Agora, ela e suas amigas vão à escola de salto e com maquiagem. Fogem dos seus mundos e invadem a vida adulta.

Outra razão, não menos importante, é o que o deslocamento do peso do corpo sobre determinadas partes do pé, a longo prazo poderia provocar em ossinhos, cartilagens e tendões tão tenros e maleáveis. Para mim, estas razões já são mais do que suficientes para nunca ter posto salto na minha filha.

Fui procurar então, se tinha algum trabalho científico falando sobre isso. Encontrei um da Unicamp, uma dissertação de mestrado de fisioterapia, que aponta que o uso de sapatos infantis inadequados, afeta desenvolvimento motor e construção da feminilidade. Num estudo incluindo meninas de 01 a 07 anos de idade concluiu-se que durante esta fase do desenvolvimento motor e da consciência corporal, a marcha independente é o ponto alto. O tipo de calçado que acompanha a criança durante esse aprendizado pode influenciar o desempenho de um caminhar seguro, alterando a largura, o tempo e o impacto durante cada passo. Notou-se também que as meninas, foco deste estudo, têm a seu favor o crescimento. Seus músculos e ossos acomodarão os pés e todo resto do corpo quando estiverem em pé ou andando. Por outro lado, na idade adulta, poderão arcar com danos pelo uso de sapatos inadequados, hábito originado na infância. Poderão ter deformidades como as joanetes (geradas pela mudança na angulação dos ossos que atinge o dedão do pé, entortando) e o neuroma de Morton (lesão no nervo entre os dedos, que causa espessamento e dor).

Leia mais em:
Dissertação: “Pressão de consumo e escolha das mães: o caso dos sapatos para meninas de 1 a 7 anos”
Autora: Renata Augusto Martins
Orientador: Roberto Teixeira Mendes
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FCM)