quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Desenvolvimento Infantil


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Desenvolvimento infantil
Pesquisas recentes têm dado enfoque aos fatores que protegem ou minimizam a ação dos fatores de risco, os chamados fatores de proteção, os quais envolvem as características da criança, da família e do ambiente mais amplo que criam uma barreira contra o impacto dos fatores de risco e aumentam as possibilidades da criança se tornar competente e ter senso de bem estar.

O apoio social tem sido definido como um dos mais importantes fatores de proteção da família, surgindo como recurso contra os efeitos de estressores e como promotor da recuperação de crises situacionais ou desenvolvimentais enfrentadas pelas famílias. A qualidade do ambiente domiciliar também constitui-se um fator muito importante a ser investigado para intervir junto à família na promoção do desenvolvimento infantil.

Segundo a visão ecológica de desenvolvimento, o indivíduo constrói-se a partir de suas interações com o ambiente, ao mesmo tempo em que o ambiente o modifica.

Alguns períodos do desenvolvimento são considerados sensíveis, em que determinadas influências têm um maior impacto. Autor considerou entre seis e doze anos a crise evolutiva decorrente do desafio da produtividade, quando a criança quer ganhar reconhecimento social por meio de sua capacidade de se preparar para produzir no mundo adulto. Trata-se de uma fase em que não só o contexto físico e social se alarga e diferencia, mas também as expectativas do meio social tornam-se mais exigentes, a dependência é menos tolerada e o suporte está menos disponível. A exposição ao julgamento dos outros passa a ser percebida com mais clareza em função das aquisições cognitivas, provocando nas crianças a motivação para corresponder às cobranças da família, da escola e do grupo de companheiros, muitas vezes conflitantes.

Pesquisas indicam que desde os primeiros anos escolares, o envolvimento dos pais – definido como a extensão com que estes se interessam em instruir e participar ativamente da vida escolar dos filhos – é positivamente associado com o bom desempenho escolar e com o melhor ajustamento da criança na escola. De acordo com King (1998), a configuração de recursos relevantes para o desempenho escolar muda à medida que a criança se desenvolve e os efeitos do ambiente familiar têm sido identificados nos diferentes níveis de ensino, até a universidade. Alguns dos principais recursos estão relacionados ao tipo de estimulação oferecida no lar pela família, envolvimento dos pais com a escolarização da criança, a coesão da família e a organização do ambiente familiar.

A família pode ser considerada o sistema que mais influencia diretamente o desenvolvimento da criança, embora outros sistemas sociais (ex.: escola, local de trabalho dos genitores, clube) também contribuam para o seu desenvolvimento”. A grande maioria das crianças experiencia com a família as primeiras situações de aprendizagem e introjeção de padrões, normas e valores, e se a família não estiver funcionando adequadamente, as interações, principalmente pais-bebê e com a sociedade, serão prejudicadas.

A família pode se considerada como “espaço de socialização infantil”, pois se constitui em “mediadora na relação entre a criança e a sociedade”. Nas interações familiares “padrões de comportamentos, hábitos, atitudes e linguagens, usos, valores e costumes são transmitidos” e “as bases da subjetividade, da personalidade e da identidade são desenvolvidas”.

Como a família é o ambiente imediato no qual a maioria dos bebês é criada, esta deve tornar-se a unidade central de investigação da experiência humana precoce e é o núcleo a ser protegido e trabalhado.

A identificação de variáveis da família que têm influência sobre o desenvolvimento das crianças pode permitir a compreensão da dinâmica familiar bem como a especificidade do processo de desenvolvimento dos indivíduos, possibilitando delinear intervenções que favoreçam um adequado desenvolvimento infantil.

Fatores de risco para desenvolvimento infantil podem ser descritos como características da criança, da família e do ambiente que diminuem a probabilidade da criança tornar-se competente e ter senso de bem estar e, portanto, que aumentam a probabilidade de ocorrência de resultados negativos e indesejáveis. Incluem: história de desenvolvimento dos pais, personalidade dos pais, habilidades parentais abuso de álcool e drogas, gravidez na adolescência, depressão parental nível educacional, altos níveis de estresse, monoparentalidade, presença de atividade criminal, doenças psiquiátricas, falta de apoio social, condições inadequadas de habitação, saúde, educação, alimentação, idade da criança, temperamento da criança, déficits ou dificuldades neurofisiológicas da criança, níveis subclínicos de transtorno de conduta e performance acadêmica e intelectual da criança.

A pobreza, por sua vez, configura-se como o fator de risco bastante grave a atingir a família, porque por si só pode acarretar e gerar outros fatores de risco como a história de desenvolvimento dos pais e suas habilidades parentais, além de limitar as oportunidades para ajustamento infantil positivo. Morar em bairros e estudar em escolas com alta densidade de pares desviantes e áreas urbanas com muitos crimes pode levar pais habilidosos a falhar no papel de agentes de prevenção de problemas de comportamento em seus filhos.

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413389X2008000200006&script=sci_arttext

Retirado do artigo Variáveis da família e seu impacto sobre o desenvolvimento infantil de Nancy Capretz Batista da SilvaI; Célia Cristina NunesII; Michelle Cristine Mazzeto BettiIII; Karyne de Souza Augusto RiosIV

I Universidade Federal de São Carlos – SP – Brasil
II Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto – SP – Brasil
III Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto – SP – Brasil
IV Universidade Federal de São Carlos – SP – Brasil