quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Hora da comida – UMA BATALHA????

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Hora da comida –  UMA BATALHA???? SE NÃO COMER TUDO, NÃO VAI GANHAR SOBREMESA!!
SE NÃO COMER TUDO, NÃO VAI GANHAR SOBREMESA!!


É esta a melhor abordagem quando o assunto é a alimentação mais adequada para nossos filhos? Quando o que estamos pretendendo é estabelecer para eles um parâmetro correto entre necessidade nutricional e quantidade de alimentos ingeridos? Creio que não!!! Quantas vezes não fazemos isto, simplesmente porque não pensamos. Estamos simplesmente copiando e perpetuando comportamentos de gerações em gerações, talvez de um tempo muito remoto onde deixar comida para trás pudesse ser a diferença entre a vida e a morte, sem questionar o por quê de agir assim.

Vivemos em outros tempos agora, bem longe da escassez de alimentos. Então, vamos raciocinar. A criança demonstra que não deseja mais comer. Insistimos e ela se recusa. Aí entra a chantagem: se comer tudo ou mais tantas colheradas, come sobremesa, senão, não. Traduzindo: mesmo já estando satisfeita, para obter o prazer da sobremesa que deseja, a criança deve submeter-se a se empanturrar para ganhar um petisco ainda mais calórico e sob uma coação totalmente ilógica.

Acho que é por isso que as crianças choram nessa hora. Elas ainda não conseguem argumentar contra uma incoerência deste tamanho.

Não pensem que eu não fiz isto, porque eu fiz sim!!!! Mas um dia eu acordei!

Eu sempre ouvi do pediatra dos meus filhos que em casa onde tem comida de qualidade, criança não morre de fome. Isto é fato. Assim, não seria lógico então que deixássemos que a criança começasse por ela mesma estabelecer suas necessidades alimentares? Começar um autoconhecimento nesta área?

Ah! Mas assim minha casa vai virar uma bagunça e cada um vai fazer o que quiser na hora que quiser, você poderia questionar.

Não é bem assim. As crianças devem participar das refeições junto com todos os outros membros da família, até porque trata-se de um evento familiar importante. Se não quiser comer todo o alimento que foi a ela destinado, não tem problema. Ela não precisa.

Entretanto ela deve ser avisada de que somente receberá alimento, no próximo horário pré-estabelecido (lanche da tarde, por exemplo), o que ocorrerá por volta de três horas depois daquela refeição que está ocorrendo naquele momento. A criança não tem noção do que significam três horas, então vale um exemplo (o tempo que demora quando vamos para a casa do vovô, ou só depois que você acordar do soninho da tarde, etc). Neste intervalo, nada será oferecido a ela, exceto água. E é importante que não se substitua mesmo a refeição principal por leite, iogurte ou qualquer alimento mais simples de ingerir, porém com muito menos nutrientes e nem burle a regra, dando bolachas ou outros petiscos no intervalo pré-estabelecido. Isto ajudará a criança a regular a quantidade de comida que precisa para não sentir fome entre as refeições.

Esta não será necessariamente uma experiência ruim, se ela pediu para parar de comer porque realmente já estava satisfeita e não com preguiça de comer sozinha. Se foi, de um modo geral, a criança é bem esperta para não repeti-la.


Ana Margarida Jabali Marques – Cirurgiã-dentista – Odontopediatra
FORP-USP – 1982 – Ribeirão Preto – SP